SEGUREM SE, PORQUE A CASA CAIU !
"O mercado não é, por si , racional e eficiente, apenas sabe racionalizar a sua irracionalidade e ineficiência enquanto estas não atingem o nível de autodestruição."
Boaventura de souza santos, 67 sociólogo português,
é professor catedrático da Faculdade de Economia
da Universidade de Coimbra(Portugal). È autor, en-
tre outros livros, de "Para uma Revolução
Democrática da Justiça"(cortez,2007)
Não é de hoje que o Brasil é marcado profundamente por razão de turbulências financeiras. Já faz parte da cultura nacional melindrarmos nas difíceis fases de oscilações que o mercado impõem aos investidores, acionistas e empresas instaladas em solos tupiniquins. Desde às épocas das "Antilhas", o Brasil veem sendo constantemente ameaçado pelas ondas do, vai e vem, da economia mundial. Por tanto, a razão do motivo das atenções voltados ao universo economico. E olha, que os problemas são muito mais do que se imaginam. Pois bem, para aqueles que se enquadram no perfil, do tipo acionistas de primeira viajem, se preparem porque a maré não é para peixe. A jornada economica no momento e de mão dupla. A atenção aos noticiários sobre quanto anda nossas finanças investidas em consumo do aproveitamento próprio requer bastante atenção. Assim como no Brasil, de forma inversa, a economia da América do Norte também sofre risco, e é por causa deles que estamos flutuando em águas turbulentas agora, e de poucos peixes.
A forte economia dos EUA foi durante 80 anos o sistema economico mais forte do mundo, e da noite para o dia, esta economia se transformou em um funesto sistema rotativo. O poder de investimentos dos EUA foi aniquilado, e o desequilíbrio deles vai afetar o Brasil. A crise Americana tornou-se um assunto para tablóide nenhum botar defeito, isto ninguém pode negar. Porém, contudo, após a grande "derrubada", metáforicamente falando, o sistema financeiro operacional norte-americano começou a dar sinais claros de crise do capitalismo neoliberal, quem diria, modelo inventado por eles mesmos. No contexto, a crise iniciou-se logo após ao desastre de 11 de Setembro de 2001
O governo começou a incentivar os bancos a emprestar dinheiro e facilitar empréstimos para os seus clientes e contribuíntes, pois queriam alavancar a economia que estava começando a entrar em recesso, um grande incentivo fiscal, com redução de juros e outros benefícios fiscais. Grande e pequenos bancos passaram a dançar conforme a música. O setor imobiliário foi quem contribuiu para o início desta crise financeira. Os bancos facilitavam empréstimos para compra de imóveis sem pedirem qualquer asseguriedade de quem precisava fazer o empréstimo para a aquisição de seus imovéis. Com a facilitação sem a garantia de retorno de quem se emprestava, os banco e as financiadoras arcaram com um prejuízo sem tamanho. Em geral os depósitos dos compulsórios não tinham fundos, o que atingiu em cheio quem havia emprestado dinheiro a quem não tinha como pagar depois. Bastaram três semanas de farra total, para que a transformação do otimismo incutido, e desenfreado virasse indicadores não mais positivos, como queriam se fazer a política economica dos EUA, mas indicadores de prenúncios de uma ruína em caos economico, dados estes ignorados até setembro deste ano.
Empresas grandes e operacionalmente eficazes envolveram-se em compulsórias investidas financeiras, provocando o aumento de riscos e um prejuíso nas finanças internas. Ocorreu a redução da ajuda do crédito, que serviu até então para financiar tudo isto. Conseqüetemente bancos menores sofriam o risco de baixas excessivas na margem de lucro, de aperto agudo nos transitórios de linha de crédito, ou mesmo coisa pior. No Brasil, a turbulência da crise e os efeitos dos juros mais altos da crise externa, já estavam sendo sentidas desde março, o que mostrava os sinais de desaceleração da economia. Embora suaves, o custo médio de captação de recursos no exterior, por exemplo, já dera um salto de fevereiro para março, segundo dados do BC-Banco Central. Mas o auto dos adiantamentos sobre contratos do câmbio - ACC (financiamento para a produção de exportáveis) e o dinheiro que empresas obtinham via captação no exterior, não variavam tanto assim neste período tumultuado. As taxas médias pelos quais os bancos captavam recursos (empréstimos), deu um salto em março, porém em menos proporções em agosto. Enquanto isto, o custo médio de crédito para pessoa física crescia desde abril. Os fundos de investimentos começaram a perder recursos, a grosso modo, o vazamento no ano, se concentrava compreensivelmente em fundos multi mercados, abalados pela míngua da bolsa.
O rombo gerado pelo estouro da bolha da habitação americana provocou um dado novo com relação a intervenção em curso do Estado para impedir o declínio nos preços dos imóveis. O governo dos EUA "tabelou" os preços dos imóveis, pois os papéis e títulos dos imóveis não perderam o valor no mercado. Na prática nada mais valiam, e raros compradores se aventuraram em comprá-los ou cotá-los. O mercado livre passou a pedir ao Estado para fazer o preço. Para impedir que os preços despencassem lá em baixo, o número de hipotecas executadas precisou ser limitada ao mínimo, sendo ajustadas à capacidade de pagamentos dos proprietários dos imóveis, ou seja o fato de que a maioria das muitas hipotecas fossem fatiadas e revendidas na forma de obrigações de divida caucionada, não resolveu os ânimos dos detentores das diversas fatias destes títulos podres.
O montante de US$ 700 bilhões em ações preferências seria insuficiente para cobrir o rombo dos bancários, de modo a incluir inclusive, o esquema do congresso de alteração dos termos de hipoteca no pacote de resgate. As instituições financeiras quebraram porque não podem agora vender seus ativos, tais como instrumentos financeiros complexos. Não vendem, entre outros motivos, porque os preços dos financiamentos são bem menores daqueles que foram oferecidos no início pelos financistas. Os papéis empregados pelos proprietários eram cotados por valores fictícios, imaginários, matemáticas de cotação fantasiosa, [na tradução livre de "market to fantasy", paródia de "market to market]. Há 30 anos, o mercado dos EUA obtém a liberdade que quer. O mercado se enganou, porque o BC dos EUA deixou os juros em níveis muito baixos por tempo demais, os incentivos eram errados, e por isso o mercado se desviou. Ninguém notou que os incentivos estavam errados. Em resumo, o mercado capturou as instituições oficiais, e se viu livre. Agora, numa situação como a de um sequêstro com ameaça de morte, querem ajuda estatal, de resto sem contra partida.
A bolha, no caso imobiliária, atual vilã da história, e tão ou mais letal do que sua parente assassina do famoso filme Steve Mc Quem. Bolhas são criadas quando a quantidade de dinheiro em circulação cresce a uma razão maior do que o próprio crescimento da econômia. Nasceu porque os valores relativos de bens e serviços começam a sofrer num desequilíbrio; O excesso de oferta de dinheiro no mercado é bem maior, o pessoal acaba inventando moda foi o que aconteceu neste caso para alavancar a economia norte americana, depois de 11 de setembro há dez anos atrás. Na verdade tudo começou dali.
Não muito distante.. ..a loucura em investir na internet, nos anos 90, empresas avaliadas em bilhões de dolares foram reduzidas a pó. Aquele financiamento ficou conhecido como a "bolha da internet". E terminou quando as cotações se realinharam à realidade. Vale lembrar que a palavra crédito vem do latim "credire", acreditar. Quem não acredita não empresta nem investe. Mas veja só como se deu a receita para a catástrofe.
A missão do Federal Reserve, o banco central dos EUA, seja quem for seu presidente, é a de promover o crescimento e conter a inflação. Pois, quando assumiu o cargo, em 1987, Alan Greenspan resolveu afrouxar as rédeas de uma econômia qua já vinha cortando impostos e oferecendo dinheiro barato. Em 1999, durante o governo Clinton, o congresso aprovou a sulpressão do Ato Glass-Stegall, de 1933, que fazia distinção entre bancos comerciais, de investimentos e corretoras. A medida foi aprovada por congressistas de ambos os partidos [republicanos e democratas] e, na pratica abriu as portas para a casa-da-mãe-johanna.
Quando a bolha da internet estourou, afim de evitar uma recessão, Greenspan injetou ainda mais dinheiro na econômia. O mesmo ocorreu após o ataque às torres gêmeas. Esse excesso de liquidez gerou uma turbulência invertida de novos produtos financeiros, que o mercado consumiu com verocidade
Há de certo uma novidade imprevista, que é a crise de liquidez mundial ter se tranformado parte no mercado internacional, e em produtos de menor crédito de investimento, por exemplo. A taxa de juros passa a ter um forte impacto na redução de consumo e do crédito. A arrecadação passa a ter um reflexo de desaceleração, principalmente na empresa de varejo e setor bancário. Não é preciso muito para concluir, segundo expecialistas no assunto, que os EUA estarão passando por uma recessão bíblica, mesmo se os bancos sobreviverem para contar a história.
Assim, justa ou injustamente, quando a situação chega aonde chegou, a verdade é que o governo deixa de ter opções: ou resgata o sistema financeiro ou vive uma crise ainda maior. Nestas circunstâncias envolvem temas complexos do ponto de vista teórico. Não apenas o governo não consegue se comprometer com uma promessa de não salvar os bancos como, por esse motivo, gerar incentivos errados em termos de atitudes com relação à tomada de risco. A única alternativa que sobra ao poder público é não permitir que os bancos com incentivo do resgate de US$ 700 bilhões de titúlos públicos por papéis lastreados em hipotécas pertecentes a bancos, se engajem em operações arriscadas: caso das apostas funcionarem, ficarem com os ganhos, ou caso percam, sabem que ao menos parte dos prejuízos será pago pela sociedade
A crise atual, portanto, tem origens mais prosaicas dos que certos analistas pareciam crer. Não resulta das "contradições inerentes ao capitalismo", nem implica no fim do credo liberal. Mas em uma regulamentação inadequada que os bancos mantiveram fora do balanço real, além de alavancar orgãos reguladores e fiscalizadores.
Para especialistas esta é uma fase nova fase na economia mundial. Uma nova globalização pós neo-liberal internamente muito mais diversificada. Emergem novos regionalismos, já presentes na Africa e na Asia, mas sobretudo importantes na america latina, consolidado com a criação da união das nações inter americanas e do Banco do sul.
De acordo com o Deutsche Bank, os bancos brasileiros também podem enfrentar uma deteriosação de ativos e uma alta nos custos de financiamento. O sentimento do setor se deteriorou, e os efeitos indiretos podem gerar pressões adicionais para um ambiente operacional já difícil no pais. Os principais riscos estão na deteriorização da qualidade dos ativos, a alta nos custos de financiamento, o acirramento da interferência governamental e um crescimento economico mais lento.
O banco central vem aumentando os juros já há bastante tempo, e seus efeitos sobre o consumo devem começar a aparecer mais a frente. Recentemente, a liquidez da economia começou a ser afetada pela crise bancária americana pelo canal de crédito em doláres. Nos últimos meses ocorreu uma elevação importante de juros pagos pelas empresas brasileiras nas suas operações internacionais. O BC foi forçado recentemente a disponibilizar doláres de suas reservas para atender à demanda de câmbio. Em outro momento, o BC dos EUA adiou o recolhimento do compulsório sobre as operações de lesing para aliviar a presão. Nesta situação, com relação a escasses das marés, o mercado brasileiro foi forçado, a travar as operações de crédito de forma violenta. Os reflexos desse movimento sobre a economia serão fortes nos próximos meses e, certamente, chegarão ao consumidor e ao mercado de trabalho.

